Enfermeira com lesão medular volta a ficar em pé com tratamento no CER Ritinha Prates

A partir de um mal-estar, de um momento para o outro, no dia 10 de dezembro do ano passado, aos 29 anos, a enfermeira Débora de Fátima Souza Roque, de Araçatuba (SP), passou a não sentir e não mover as pernas. Ficou internada durante 20 dias em um hospital, e exames revelaram que ela teve uma lesão medular espontânea, com dissecção da artéria lombar, na altura de vértebra L3.

Cadeirante, foi encaminhada ao Centro Especializado em Reabilitação (CER III) Ritinha Prates, começando o tratamento em 27 de janeiro deste ano. “Cheguei sem controle de tronco, não conseguia rolar na cama nem em sentar sozinha. Estava totalmente dependente de outras pessoas”, conta a enfermeira. 

A fisioterapeuta que a atende três vezes por semana, Emily Ratão Guidoti, explica que Débora faz fisioterapia motora e pélvica. “Os exercícios servem para que ela ganhe força e consiga fazer sozinha transferências, da cadeira de rodas para a cama, e vice-versa, por exemplo. Hoje, a Débora levanta, fica em pé e troca passos. Ainda não é uma marcha funcional, mas trata-se de uma grande evolução”, afirma Emily.

Entusiasmada com a evolução do tratamento no CER, Débora, que, mesmo cadeirante, começou a praticar crossfit em março deste ano, tem planos e faz questão de destacar a importância da motivação e da persistência.

“Nunca recusei nenhuma ação proposta aqui no CER, nunca tive medo, e isso ajuda muito. Hoje, controlo tronco e membros superiores sem problemas. No ano que vem quero competir no crossfit. E pra quem precisa de tratamento de fisioterapia semelhante ao meu, oriento que procure o equipamento e se dediquem. É preciso ter iniciativa e atitude, pois ficar chorando em casa não vai adiantar nada”, finaliza Débora.

Referência regional

O Centro Especializado em Reabilitação é um ponto de atenção ambulatorial especializada em atendimento especializado em reabilitação, concessão, adaptação e manutenção de tecnologia assistiva, sendo referência para a rede de atenção à saúde no território. Todo o atendimento realizado no CER é feito de forma articulada com os outros pontos de atenção da Rede de Atenção à Saúde, por meio de Projeto Terapêutico Singular, cuja construção envolverá a equipe, o usuário e sua família.

O equipamento da Associação de Amparo ao Excepcional Ritinha Prates é direcionado ao atendimento de pessoas com deficiências auditiva, física e visual, de qualquer os sexos e idades encaminhadas pelos serviços de saúde da região de abrangência da Departamento Regional de Saúde (DRS) II – 42 municípios da região de Araçatuba, que somam população de aproximadamente 730 mil pessoas. No CER são realizados 500 atendimentos ao mês, sendo 150 em reabilitação física, e o restante distribuído entre casos auditivos e visuais.

O objetivo é promover o estabelecimento e cumprimento das ações voltadas à qualidade de vida desse segmento, assegurando a igualdade de oportunidades às pessoas portadoras de deficiência. A garantia deverá resultar no provimento de condições e situações capazes de conferir qualidade de vida, com a plena observância do arcabouço legal específico, como é o caso do Decreto n.º 3.298/99 e a Política Nacional de Saúde da Pessoa Portadora de Deficiência.

De acordo com o coordenador de reabilitação física do equipamento, Marcos Adriano Mantovan, os usuários que estão em reabilitação no CER III Ritinha Prates são acompanhados por profissionais capacitados e recebem todos os tipos de estímulos junto à equipe multidisciplinar, visando um só objetivo, que é a funcionalidade do usuário.

“O CER realiza um trabalho diferenciado, ofertando a reabilitação complementada com a tecnologia assistiva (dispensação de cadeira de rodas motorizada, próteses e órteses, por exemplo), que dá independência e reintegração social ao usuário. Mas a evolução depende muito do grau da lesão e varia de um usuário para outro. A qualidade de vida após a lesão medular está muito associada à abordagem multidisciplinar que deve ser instituída desde a fase aguda do problema”, finaliza Mantovan.