Ritinha Prates completa 45 anos

No próximo domingo (23), a Associação de Amparo ao Excepcional Ritinha Prates, de Araçatuba (SP), completa 45 anos de fundação. Desde 1977, a entidade fundada por Elpidio Pedroso, José Américo do Nascimento e Alice Prates presta relevantes serviços de saúde para 40 municípios da área de abrangência do Departamento Regional de Saúde de Araçatuba (DRS 2).

Por meio do hospital neurológico conta com serviços especializados para pessoas com deficiências neurológicas profundas e irreversíveis. Atualmente, atende 60 usuários internos. A entidade também é a mantenedora do Centro Especializado em Reabilitação III – Ritinha Prates (CER III Ritinha Prates), que presta cerca de 500 atendimentos por mês.

No ano passado, a entidade iniciou ainda os trabalhos da UCP (Unidade de Internação em Cuidados Prolongados), que conta com 24 leitos destinados ao acompanhamento de usuários com quadro clínico estável, mas que necessitam permanecer sob cuidados especializados por mais tempo. Na unidade são atendidos usuários de 11 municípios da área central da DRS-2.

De acordo com a presidente da associação, Vanilda Maria Barboza (Vanda), entre os valores da entidade está o tratamento humanizado, além do respeito a conceitos éticos, morais, ambientais e filantrópicos. “Temos uma enorme preocupação em fazer com que os nossos usuários tenham o melhor tratamento possível, com eventos e interações, assim como visitas e participação dos seus familiares“, afirma Vanda.

Cadeiras de rodas

Um número significativo relacionado ao CER Ritinha Prates chama a atenção e dá uma dimensão das ações executadas pela entidade.

Desde 2015, quando a unidade foi inaugurada, foram dispensadas cerca de 5 mil cadeiras de rodas, de vários modelos. Os usuários são moradores dos 40 municípios do Noroeste Paulista que fazem parte da área de atuação do DRS-2. Eles receberam gratuitamente, por meio do SUS (Sistema Único de Saúde), equipamentos de diversos modelos, como cadeira monobloco, motorizada, de banho com aro de propulsão, de banho com recline, de banho em concha infantil.
 
Mantovan explica que o usuário deve estar atento e seguir critérios para ter acesso aos equipamentos. “O primeiro passo é procurar a UBS mais próxima. Constatada a necessidade do usuário, a solicitação é enviada à Secretaria Municipal de Saúde de Araçatuba, que nos encaminha o documento. Depois disso, uma avaliação é agendada no CER. No final, estando tudo certo, o usuário recebe o equipamento adequado”, detalha Mantovan.

Oficina ortopédica e sistema fotovoltaico

Sempre pensando em ampliar e melhorar o desempenho dos serviços prestados, a associação tem vários projetos, sendo os principais a construção de uma oficina ortopédica e a instalação de uma usina fotovoltaica.

A oficina já existe desde 2017, porém ocupa um pequeno cômodo na sede do CER, onde são produzidas cerca de 20 próteses e órteses (equipamento que auxilia movimentos dos membros) ao mês. Há projeto para a construção de uma nova fábrica, em um terreno concedido pela prefeitura, no jardim Carazza. A área de 5.112 m2 era ocupado anteriormente por um ecoponto (local destinado a receber descartes, em volume de até 1 m³ de restos de poda e capina, entulhos e restos de construção e resíduos volumosos como móveis, colchões e eletrodomésticos). A oficina terá 369 m2 de área construída

A entidade está atrás de recursos para a construção, assim como para a aquisição e instalação de uma usina de energia solar fotovoltaica, já orçada em R$ 1,2 milhão. Porém, o projeto é modular, podendo ser executado em partes, o que reduziria a conta mensal de luz da associação, que hoje é de R$ 20 mil.

A presidente da entidade lembra que toda colaboração da comunidade, seja na forma de doação ou de trabalhos voluntários, é bem-vinda, pois são muitas as necessidades da associação.

“As nossas ações não param, mas as despesas sempre aumentam muito mais do que as receitas. Todos os nossos custos cresceram na pandemia e o número de doadores caiu cerca de 6% nos últimos dois anos. Foram aproximadamente 1000 doadores a menos. Essa perda é muito significativa para a nossa entidade, pois os repasses do SUS arcam com 50% das nossas despesas, e o restante vem de doações e de eventos, que deixamos de realizar durante a pandemia. Por isso, estamos sempre pensando em projetos, como o da energia fotovoltaica que nos permitirá reduzir despesas e continuar prestando um serviço de excelência para a sociedade”, finaliza Vanda.