Ritinha Prates reestrutura grupo de voluntários em busca de aumento de receita com eventos

A Associação de Amparo ao Excepcional Ritinha Prates, de Araçatuba (SP), está reestruturando o seu grupo de voluntários em busca de soluções para a crise financeira que a entidade atravessa. Na semana passada, pessoas interessadas em doar tempo ou mão de obra à entidade se reuniram para planejar, sistematizar e definir planos de ações neste sentido.

Na oportunidade, foi escolhida como coordenadora do grupo a enfermeira Camila Martins da Silva, e como vice-coordenadora a psicóloga Rafaela Vieira Bocchio. “Penso que a ação voluntária é uma troca de sentimentos e emoções, uma troca de amor mesmo”, diz Rafaela. Quem também esteve presente e passou a integrar o grupo é a empresária Daniela Fioroto Pontin. Ela, que é presidente do Rotary Club de Araçatuba Oeste (Gestão 2022-2023), afirma que o voluntariado traz retribuição para o que ela precisa em outras áreas da vida. “As ações que realizo são como uma semente plantada, que sei que vão germinar e dar frutos em vida, independentemente da área que for. A benção se apega a nós de uma forma automática, de você se transformar a partir do momento que transforma a vida de alguém. Voluntariado pra mim não é trabalho, é uma forma de retribuir o que se recebe”.

A primeira atividade que o grupo de voluntários vai ajudar a organizar em favor da Ritinha Prates é a Festa da Primavera, que a entidade vai realizar no dia 19 de novembro. O evento vai contar com praça de alimentação com diversos produtos (espetinhos, pastéis, cachorro quente, doces, bebidas etc.), bingo e música ao vivo. Toda a arrecadação será revertida para o custeio da manutenção do hospital neurológico, que atende 60 usuários com problemas profundos e irreversíveis.

A entidade conta também com costureiras, assim como separadoras de notas fiscais voluntárias. Os interessados em fazer parte do grupo de voluntários da Ritinha Prates podem fazer contato pelo telefone (18) 3117-3627 ou indo até a associação, que fica na rua Wandenkolk, 2.606, no jardim Rosele.

Ajuda

A presidente da associação, Vanilda Maria Barboza (Vanda), comenta que, em maior ou menor grau, a pandemia da covid-19 impactou setores econômicos, políticos, culturais, históricos e sociais. “Sentidas há mais de dois anos, as repercussões continuarão sabe-se lá por quanto tempo. Especificamente o Terceiro Setor, do qual faço parte atualmente, está sentindo de forma muito marcante esses efeitos. Organizações da sociedade civil que prestam os mais diversos tipos de serviços em diversas áreas – saúde, educação, esporte, cultura, por exemplo, principalmente para a população mais vulnerável, perderam receita considerável devido à queda no número de doações e à impossibilidade de realizar eventos por causa da quarentena contra o coronavírus”, conta Vanda.

Segundo a presidente da Ritinha Prates essa conjuntura ocorre ao mesmo tempo em que aumentou a demanda pelos serviços do Terceiro Setor e as suas despesas. Ou seja, as entidades estão trabalhando mais para acolher o cidadão que não consegue ser atendido pelo Estado e contando com menos recursos para isso. “De forma cruel, ONGs, institutos, fundações, associações e coletivos, de forma geral, estão padecendo com a diminuição das suas atividades principais e a entrada de receita, embora tenham um papel estratégico de articular e facilitar a entrega de doações que empresas estão fazendo para as causas ligadas à covid-19”, ressalta.

Sem querer ser alarmista, Vanda diz que a situação das entidades está complicada e, neste momento, mais do que nunca, elas necessitam da compreensão e da generosidade do cidadão em condição de doar e da sociedade civil organizada. Ela sugere que o que o morador da região se informe sobre as sérias organizações existentes em Araçatuba e seu entorno, os serviços que oferecem, o impacto das suas ações na sua comunidade, e procure contribuir da forma que puder, pelo bem de toda a sociedade.  

Cidadania

O voluntariado é uma das formas mais antigas e transformadoras de participação cidadã na nossa sociedade, pois é o meio com o qual todo cidadão, independente de escolaridade, religião, cor, condição financeira ou física, pode fazer a diferença no meio em que vive. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), mais de 1 bilhão de pessoas se engajam em ações voluntárias em todo o mundo.

“Num mundo marcado por relações comerciais, trabalhar sem a intenção de receber uma remuneração em dinheiro é um gesto enorme de humanidade e um passo gigante para conquistar uma sociedade mais justa. O voluntariado deve sempre ser motivado por valores como justiça, equidade e liberdade. Uma sociedade que promove e se engaja no voluntariado é mais cidadã e justa”, conclui Vanda.