Artigo de Vanilda Maria Barboza: Mulher também foi feita para liderar

Passados milhares de anos da história da civilização, evoluções tecnológicas cada vez mais aceleradas e transformações ininterruptamente em curso, a liderança feminina ainda é um tema controverso no que diz respeito a quanto empresas e organizações, de forma geral, estão contribuindo para a igualdade de gênero.

Esta afirmação tem como base um levantamento global do LinkedIn, rede social profissional focada em gerar conexões e relacionamentos. A ação apontou que a igualdade de gênero ainda não é uma realidade para a maioria dos empregos de rápido crescimento, com muitos deles mostrando uma grave sub-representação de mulheres. E alerta que os problemas de paridade de gênero vão piorar caso não seja executada alguma ação efetiva.

O estudo também mostrou uma queda significativa de mulheres sendo contratadas para cargos de liderança desde a pandemia, levando ao regresso de um a dois anos em vários setores. Além disso, foi comprovado que, em média, pessoas do sexo feminino em todo o mundo se candidataram a 11% menos empregos no ano passado em comparação com os homens.

No ritmo atual do chamado empoderamento feminino no que diz respeito ao aspecto profissional, a previsão publicada no ano passado pelo Relatório Global de Gênero do Fórum Econômico Mundial é que o problema da disparidade de gênero só será resolvido em quase 70 anos na região da América Latina e do Caribe. O Brasil se encontra na 93ª posição deste ranking que considera 156 países. Hoje, 61,9% das mulheres e 80,1% dos homens compõem a força de trabalho, sendo que elas representam 39,4% dos cargos de gestão no país.

Algumas áreas estão mais avançadas do que outras. Ainda há poucas mulheres na política, por exemplo. Elas representam 15,2% do total de parlamentares e apenas 10,5% dos ministros do Brasil. Por outro lado, na área de saúde, a paridade de gênero foi alcançada em quase todos os níveis de ensino (98%). Destaco este último setor por se tratar da minha área de atuação. Eu e a gestora anterior da Associação de Amparo ao Excepcional Ritinha Prates, Maria Aparecida Nascimento Xavier, que aqui ficou por quase 30 anos, somos o exemplo de que é preciso mudar de perspectiva e enxergar o potencial que a mulher tem de contribuir para uma cultura organizacional mais forte.

A liderança feminina conta com diferenciais, como resiliência, empatia, liderança horizontal, flexibilidade, e é essencial para estabelecer a igualdade de gênero dentro de uma organização e, assim, contribuir para a igualdade na sociedade. Ainda que enfrentem muitos obstáculos para chegarem à uma posição de chefia, as profissionais do gênero feminino têm toda a capacidade técnica e comportamental para lidar bem com as demandas de um cargo mais alto. Mulheres podem mais do que se imagina, podem tudo, podem ser o que quiser, inclusive líderes. Parabéns, a todas as mulheres, pelo seu dia!

*Vanilda Maria Barboza é presidente da Associação de Amparo ao Excepcional Ritinha Prates, de Araçatuba (SP)