Artigo "Uma dívida infinita", de Vanilda Maria Barboza

Por todos os cantos do Brasil, um exército composto por profissionais de saúde luta diariamente, há mais de quatro meses, para salvar vidas impactadas pela Covid-19. O país conta, atualmente, com 6 milhões de pessoas inscritas nos conselhos das respectivas profissões: biólogos, biomédicos, cirurgiões dentistas, enfermeiros, farmacêuticos, bioquímicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, médicos, nutricionistas, psicólogos e psicanalistas, além de agentes das áreas de biomedicina e terapia ocupacional, auxiliares e assistentes. São seres humanos que certamente sentem medo de contrair a doença, mas colocam cima desse sentimento, um grande sentimento de responsabilidade social e de compromisso público. 

A pandemia do novo coronavírus lembrou ao mundo a importância de sempre destes homens e mulheres dedicados, que se entregam pelo seu semelhante. Na linha de frente contra esta grave da doença, estes agentes têm sido incansáveis em meio a rotinas estressantes. Nas últimas semanas, eles viram as suas rotinas mudar drasticamente e reforçaram certezas que aprenderam nos bancos de seus cursos: o trabalho em equipe, o acolhimento às pessoas e a atuação na prevenção são fatores cruciais em um momento de crise. Eles entendem o sofrimento do outro e são capazes de ajudá-lo, superando as adversidades e fazendo a diferença.

O papel desses profissionais é árduo e desafiador diante de cenários que podem ser comparados aos de guerra. E essa entrega tem o seu preço. Segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, divulgados ainda em meados do mês passado, o Brasil registrou 83.118 profissionais infectados e 169 mortes entre trabalhadores dessa área.

Tendo em vista o árduo trabalho desenvolvido por eles, cabe a cada um de nós, que somos de outros setores de atuação profissional, fazer a sua nossa para que a normalidade seja restaurada com a máxima urgência. Neste momento é fundamental ter empatia com os grupos de risco e com os trabalhadores da saúde.

Faço questão de ressaltar uma informação básica, que por vezes, perde-se no dia a dia: os profissionais da saúde são, por sua atuação, importantíssimos para assegurar a manutenção da saúde de um povo, de todos os povos. Mais do que nunca, neste momento de enorme desafio, merecem todo o reconhecimento pela inquestionável relevância de suas profissões. E porque não somos eternos, a nossa gratidão se acaba conosco, mas certamente enquanto estivermos neste plano, ela será sem tamanho, portanto, infinita a todos eles. A cada profissional de saúde, faço questão de deixar registrada a minha gratidão. Muito obrigado, por tudo!

*Vanilda Maria Barboza é presidente da Associação de Amparo ao Excepcional Ritinha Prates, de Araçatuba (SP)