MULHERES EMPODERADAS COMEMORAM O SEU DIA

O empoderamento feminino entrou em pauta há alguns anos e tornou-se tema efervescente. Ainda assim, há certa dificuldade de ser compreendido e aplicado sobretudo na rotina das pessoas. Trata-se de algo cuja proposta é promover transformação social, igualdade de fato entre os gêneros, liberdade em relação a padrões abusivos.

Mais recentemente, outro termo que ganhou destaque foi sororidade, que remete à fraternidade entre mulheres. Refere-se a empatia, solidariedade, companheirismo e respeito entre elas. Defende a ideia de que juntas são mais fortes e que precisam umas das outras para buscar a liberdade e os direitos que reivindicam. As alianças são importantes para que estigmas e preconceitos enraizados sejam enfraquecidos.

Os dois conceitos estão relacionados à dimensão ética, política e prática do movimento feminista contemporâneo, que busca a igualdade entre os gêneros. Em razão do Dia Internacional da Mulher, quatro mulheres que moram e trabalham em Araçatuba comentam situações, obstáculos e conquistas femininas.

Empoderadas e unidas

Com sete anos de carreira, a farmacêutica Taís Tada, que atualmente trabalha no Hospital do Olho (HO) Araçatuba, avalia que, de forma geral, o tratamento às mulheres melhorou nos últimos anos, mas ainda há espaço a ser conquistado. “Sem desmerecer os homens e os meus colegas de profissão, na minha opinião a mulher é mais dinâmica e multidisciplinar”, afirma. Ela, que atuava no ramo de manipulação e drogaria, e passou recentemente para a área hospitalar, tem pretensões e garante que vai batalhar para atingir os seus objetivos, como sugere que toda mulher faça. “Particularmente, estou diante de um desafio e me sinto estimulada a encarar esta nova etapa profissional”, diz.

Antes de ser vendedora em uma ótica de Araçatuba, Elaine Cristina Ruiz, foi professora de pré-escola. Mãe de duas filhas, ela avalia que hoje a mulher tem mais voz para reivindicar os seus direitos e deve mesmo buscas mais espaço. “Como geradora de vida a mulher é dona do poder. Toda mulher é linda, e merece ser respeitada e amada. O problema é que sempre fomos oprimidas”, comenta. Convicta em relação à necessidade de equilíbrio entre os gêneros, para Elaine sororidade é uma palavra usual. “Nós, mulheres, temos que nos unir. Eu, por exemplo, só quero ser atendida por mulher, seja no consultório médico ou no aplicativo de transporte, pois ainda noto que ainda há desrespeito – ainda mais quando somos separadas. Não podemos nos sentir envergonhadas e culpadas quando somos assediadas”, explica.

A empresária do setor de perfumaria, Drika Marini, conta que passou por inúmeras situações adversas antes de se tornar referência em seu setor de negócio. Ela, que já foi atendente, recepcionista e gerente em outros segmentos, diz que já teve muita dificuldade no mercado de trabalho, justamente quando estava inserida em meio que é dominado por homens. “Eu fui gerente de uma empresa de monitoramento eletrônico, onde 90% dos funcionários são homens. Como eu ocupava um cargo de chefia, tinha que me impor ainda mais para ser respeitada. Muitas vezes, clientes ligavam e não acreditavam que eu, uma mulher, era a responsável em dar as respostas que eles queriam. Muitos achavam que eu não tinha essa capacidade”, relata.

“Hoje, muitas mulheres passam por situações como aquelas que passei há alguns anos, e acabam desistindo de lutar, acham que realmente não se encaixam. Meu recado para elas é que isso não é verdade! O erro não é da mulher, e sim, de quem não acredita nessa força e capacidade que nós temos de dar a volta por cima e obter sucesso”, finaliza Drika.

Para a presidente da Associação de Amparo ao Excepcional Ritinha Prates, de Araçatuba, Vanilda Maria Barboza (mais conhecida como Vanda), é notório que a mulher é cada vez mais respeitada e vem ganhando espaço no mercado de trabalho. Ela, que é técnica em enfermagem aposentada, destaca a capacidade multifuncional feminina. “A mulher do século 21 tem autonomia e independência, casando-se e deixando a maternidade para mais tarde. Ela vai atrás do sonho profissional, e mesmo depois de realizá-lo, encontra tempo para trabalhar, continuar estudando, e ainda cuidar do marido e dos filhos”. Vanda avalia que, embora os perfis variem da mulher para mulher, há oportunidade para todas vencerem por seus próprios esforços.

Surgimento dos termos

Neologismo da expressão inglesa empowerment, empoderamento traduzido para o português significa “delegar o poder” ou “fortalecimento”. O conceito surgiu com os movimentos de direitos civis nos Estados Unidos na década de 1970, por meio da bandeira do poder negro, como forma de autovaloração da raça e conquista de cidadania plena. Ainda no mesmo ano, o termo começou a ser usado pelo movimento de mulheres. Na prática, é um processo no qual, por meio da informação, da conscientização e da ação, é concedido o poder a uma pessoa ou a um grupo delas.

No início dos anos 2010, com eventos de contexto social repercutindo na internet e a expressão “empoderamento feminino” ganhando mais força nas mídias sociais, é que o termo passou a atrair o interesse de muitas pessoas, inclusive, no meio corporativo.

Já sororidade, A palavra vem do latim soror, que significa irmã, ou seja, sororidade é irmandade. Mas, na prática, significa muito mais que isso. Base do feminismo, é um conceito que representa a união das mulheres, o apoio entre elas, e a capacidade de desbancar a ideia de rivalidade feminina que, por muito tempo foi colocada como natural e até instintiva do gênero.