Ritinha Prates vai oferecer nova terapia a pacientes do SUS que hoje se tratam em Rio Preto

Em novembro, o CER III Ritinha Prates (Centro Especializado em Reabilitação), de Araçatuba (SP), passará a oferecer aos usuários do SUS (Sistema Único de Saúde) dos 40 municípios da área de abrangência do DRS-2 (Departamento Regional de Saúde), a aplicação de toxina botulínica. Atualmente, para ter acesso ao tratamento com a substância, os pacientes têm que ir à unidade da Rede de Reabilitação Lucy Montoro, em São José do Rio Preto (SP).

As aplicações serão feitas pela neurologista Fabiani H. B. Lourenço, que é especializada no procedimento, e que está avaliando mais de 60 pessoas triadas pela equipe do CER, como vítimas de AVC (acidente vascular cerebral) e crianças com espasticidade (sequela de lesões do sistema nervoso central que provoca descontrole do tônus muscular tendendo à rigidez e à dificuldade de movimentos). Na etapa atual, a profissional define o local do corpo onde será feita a aplicação, dosagem e número de aplicações.

“A dosagem e a quantidade de aplicações varia de um paciente para outro. De forma geral, o efeito do remédio dura de três a seis meses, e contribui sensivelmente no tratamento dos distúrbios de movimento, assim como na adaptação de órteses (dispositivos prescritos por um médico em caso de acidentes, doenças do sistema locomotor ou sistemas de sustentação e promovem a recuperação)”, afirma a neurologista.

Demanda

A iniciativa de solicitar o credenciamento do CER surgiu da demanda indicada pelos próprios usuários do equipamento, que passam por outros tratamentos na unidade de Araçatuba, mas têm que ir a Rio Preto para a aplicação da toxina.

É o caso de Yasmim Vitória dos Santos Custódio, de 7 anos, diagnosticada com encefalopatia anóxica (paralisia cerebral). Sem conseguir transporte público gratuito para o tratamento na outra cidade, seus pais gastam R$ 150,00 com combustível, a cada viagem. Em Araçatuba, onde mora, a menina receberá aplicações da toxina nos joelhos, pés, mães e quadril.

A economia é bem-vinda, mas a terapia na terra natal trará uma série de outros importantes benefícios, de acordo com o pai, o segurança Rubens Fontana Júnior. “Com o tratamento aqui, a Yasmim terá mais conforto. E a gente ganha tempo ficando aqui, já que a ida pra Rio Preto toma praticamente o dia inteiro”, comenta.

A previsão da direção da Ritinha Prates é que, inicialmente, sejam aplicadas cerca de 30 doses por mês, divididas entre todos os usuários indicados para a terapia. A data de início das aplicações não está definida.

Como age a substância

A toxina botulínica é um composto de bactérias que age na placa responsável pela transmissão do estímulo nervoso que produz a contração muscular, dificultando a transmissão do estímulo e levando ao relaxamento da musculatura. Nos últimos 20 anos, foram vários trabalhos mostraram que, em baixa concentração, a substância pode ser usada para relaxar músculos contraídos, que é um sintoma de patologias, como as lesões cerebrais.

Como consequência dessas situações, surge distúrbio do tônus muscular, sendo que o músculo se torna muito mais excitável, extremamente contraído, o que provoca alteração dos movimentos e da postura. A toxina é utilizada para tratar as sequelas de lesões do sistema nervoso central. Atualmente, as mais comuns são as provocadas por lesões encefálicas adquiridas por causa de traumatismos de crânio e pelas provocadas por derrames cerebrais e paralisia cerebral.

Muita gente conhece o efeito da toxina botulínica quando usada com finalidade estética, para atenuar rugas do rosto. A musculatura relaxa e a expressão fica menos contraída. Esse é, porém, seu uso marginal, porque há outros muito mais importantes para garantir a qualidade de vida de alguns pacientes, como é o caso da utilização terapêutica que será feita na Ritinha Prates.